Primeiro relatório de Ellen e Jule

Saímos de São Paulo com as 3 bicicletas duplas da Consolação até Imigrantes. Todo mundo gostou de nos ver assim. Deu algum problema com uma bicicleta mas logo funcionou bem.

Ao final da tarde paramos na rodovia logo após cruzarmos a represa e perguntamos para uma dona de um sitiozinho se podemos dormir no acampamento. Ela não aceitou, mal educada, disse que iria chamar a polícia. Deixamos-lhe em paz. Achamos um lugar da mata próximo ao pedágio para comermos. Chegamos no retorno para a Ancheita – sentido de Santos. Esse era caminho secreto para a estrada de manutenção, mas como havia muita neblina decidimos não enfrentar a imigrantes na contramão.

Conseguimos um bom lugar para dormirmos no canteiro da rodovia. com toda aquela neblina, ninguém poderia avistar o acampamento… mas bastou armarmos as barracas para que a neblina fosse embora. Mais tarde a neblina voltou e conseguimos dormir.. ou quase isso.

Acordamos às 6h desmontamos o acampamento e seguimos em na imigrantes pelo acostamento na contra mão. 4Km depois chegamos a estrada de manutenção e aí todos ficaram felizes por finalmente sair de perto do barulho dos caminhões.

A descida foi fantástica cheia de lindas paisagens e uma bela cachoeira. É realmente uma pena que as pessoas que vistam essa estrada adoram fazer trabalhos (macumba) por lá e deixam tudo sujo…

Chegamos a Cubatão extremamente famintos e páramos na primeira lanchonete que encontramos onde comemos os pratos feitos que estavam deliciosos.

Já com a barriga cheia, pegamos a maldita estrada para o Guarujá… Maldita pois haviam muitos e muitos caminhos por lá que passavam buzinando o tempo todo para nos incentivar… Isso deixou os ouvintes um pouco surdos. E muito incomodados.

97 Km depois de iniciada a jornada, finalmente chegamos ao Guarujá onde conhecemos muita gente simpática e prestativa pelo caminho. Estamos “acampados” aqui no clube com direito a sauna, comida alemã feita pelo Sebastian e pelas meninas, Juliane e Ellen. A comida estava deliciosa mas um pouco apimentada.

Agradecemos aos amigos ciclistas que nos indicaram o caminho e que também pintaram bicicletinha por todo o caminho da estrada de manutenção.

Hoje visitamos as escolas regulares: Adélia Camargo Correa onde realizamos nosso workshop durante uma aula de Inglês . Os jovens muito curiosos gostaram muito de nosso workshop mesmo que este tenha sido um pouco desorganizado. Foi nosso primeiro contato com uma sala de alunos ouvintes. Nessa escola conhecemos uma aluna D.A. que não conhece a LIBRAS.

Agradecemos a Diretora Vera por abrir as portas para nossa visita e especialmente a prof. Joice que nos convidou á sua casa e nos forneceu uma boa refeição e um bom papo.

Durante a tarde aproveitamos um pouco a praia de pitangueiras para tomarmos um banho de mar enquanto aguardavamos o horário da visita a escola noturna onde tivemos a oportunidade de assistir a uma aula de uma sala com inclusão.

Nessa escola pública, embora houvessem 5 surdos em 3 diferentes salas de aula, havia apenas 1 professora que sabe a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) que que visitava todas as salas mas infelizmente não podia estar em todas elas ao mesmo tempo.

Durante o intervalo, enquanto todos comiam um delicioso prato de arroz, feijão e frango (o Seba só comeu o feijão, sugestão de um outro aluno vegetariano) O Diego foi atendender um telefonema.

Era Eloísa, resposável ela secretaria de educação especial do guarujá e ela nos du algumas informações sobre o projeto para educação especial para surdos que começará no próximo ano onde cada escola polo, terá uma sala especial para atender aos alunos que quiserem tirar suas dúvidas ou aprender mais LIBRAS fora do horário regulamentar. Durantes as aulas deverá haver 1 intérprete de LIBRAS por sala de aula acompanhando os alunos surdos. Vamos torcer para que isso aconteça.

Amanhã cedo partiremos do Guarujá em direção a Bertioga onde talvez façamos mais uma visita a uma escola normal. Desta vez, sem alunos surdos.

Após sairmos do Guarujá na manhã de ontem, paramos em Bertioga para visitar a escola Saber, onde realizamos 2 workshops, 1 no período matutino e outro logo na sequencia para as crianças que estavam entrando para ter aula no período da tarde. Adoramos ver que as crianças ficaram tão interessada na LIBRAS e que as meninas ficaram tão interessadas no Tobias que teve até que dar um autógrafo. Depois de tanto trabalho, a Licinha, diretora da escola nos convidou a almoçar por lá. As mini pizzas estavam deliciosas.

O Seba não gostou do nosso pão de queijo mas as meninas amaram.

Saímos de lá e pedalamos 54Km no total, até chegarmos a uma trilha para uma praia quase deserta onde acampamos na floresta e realizamos uma reunião dentro de uma das tendas para fugirmos dos mosquitos. A sauna que se formou na tenda e a falta de espaço não colaboraram para o bom andamento da reunião que acabou na praia sob a luz da lua cheia.

De manhã tomamos um café no restaurante da Marcia de do Marcos que ficava logo na saída da trilha e que nos forneceram a janta na noite anterior.

Pegamos as bicicletas e pedalamos 47 kilometros com direito a paradinha em uma das praias, onde o Diego tirou uma soneca e depois cortou o cabelo da Raquel na altura dos ombros. Ordens da Raquel que queria um corte de cabelo mais prático.

Ao final do dia encontramos um bom local para acamparmos o topo de uma colina perto de São Sebastiao, onde comemos um delicioso macarrão defumado… rs rs..

Começou a brincadeira. A noite passada acampamos no meio de um colina, e tivemos nossa primeira noite com chuva. Acordamos e ainda chovia bastante. Esperamos a chuva passar, organizamos tudo e caimos na estrada… é, mais ou menos, dá pra cair pra cima?

O dia começou mal com aquela baita subia que não tinha mais fim. Tivemos que realizar varias pausas para o descanso para darmos conta daquele morro para chegarmos a Maresias.

De Maresias a São Sebastião não foi diferente, tivemos que enrentar mais uns cinco morros até chegarmos aqui na Faculdade São Sebastião, mais ou menos umas 16h.
Fomos recebidos pela querida Patrícia que nos deu uma boa notícia: podemos dormir na quadra de esportes da faculdade. Oba! depois de montar o acampamento, descobrimos que nos banheiros havia até chuveiro aquecido. Melhor que hotel.

Enquanto metade da turma saiu para comprar comidas a Patrícia nos apresentou o Leonardo, Jornalista do Imprensa Livre, jornal da região de São Sebastião, a quem concedemos nossa primeira entrevista.

Nosso workshop para a turma de estudantes de pedagogia foi fantástico, um dos melhores até agora. Como a LIBRAS é uma matéria obrigatória no currículo escolar destes futuros professores, eles já havia tido algumas aulas com a Professora/Intérprete Izabela que nos acompanhou e nos ajudou com interpretações durante todo o tempo, enquanto Juliane Falava em inglês sobre o curso de pedagogia para surdos na Alemanha e era traduzida para o português pelo Diego.

Ellen e Sebastian estão com seu portugues cada vez melhor e já estão se apresentando sem a necessidade da interpretação. Raquel e Tobias, como sempre, são o centro das atenções, explicando sobre sua educação e experiência de vida como cidadãos surdos, usuários da Língua de Sinais, cada um de seu país de origem.

Só para finalizar, queriamos agradecer ao Sr Leandro, diretor da Faculdade por ter nos aberto o espaço tanto para o workshop quanto para nossa hospedagem.

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